Finalmente, chegamos à segunda e última parte da temporada final de “Battlestar Galactica”. Minha expectativa não poderia ser maior. As temporadas anteriores – e, especialmente, a primeira parte desta temporada – foram sensacionais, e a descoberta da Terra destruída e inabitada me deixou com uma sensação de decepção no último episódio. A grande questão é: conseguirá “Battlestar Galactica” manter a mesma qualidade e ter um final digno?
A resposta para a minha pergunta é um estrondoso “sim”. BSG conseguiu, nestes episódios finais, trazer de volta tudo o que o seriado teve de bom, e ainda acrescentar fatos que me surpreenderam. O final do seriado, foi espetacular, como os fãs mereciam.
Para início, descobrimos surpresos que a Terra descoberta pela frota era habitada por Cylons, tanto centuriões quanto humanóides. Ou seja: a 13ª colônia era formada por Cylons, que haviam sido criados pelos humanos de Kobol! Ainda mais surpreendente foi descobrir que o planeta foi destruído da mesma forma que as 12 colônias, após uma guerra entre os centuriões e os humanóides. A profética frase do híbrido em Razor, “Tudo isso já aconteceu antes e irá acontecer novamente.” faz cada vez mais sentido.
As demais revelações sobre os Cylons são igualmente surpreendentes e impactantes: os Cylons da 13ª colônia tinham a capacidade de se reproduzir. Foi de lá que vieram os “5 Cylons finais”, que tanta expectativa geraram. Os 5 sobreviveram à guerra e tentaram comunicar as outras 12 colônias para evitarem que tivessem o mesmo final. Mas, chegaram tarde demais. Eles só conseguiram chegar às colônias quando a primeira guerra com os Cylons já estava acontecendo. Mas, conseguiram pôr um fim à guerra, oferecendo aos centuriões a criação de 8 Cylons orgânicos e a entrega da técnica da ressurreição.
E, claro, temos a revelação de quem era o 5º Cylon: ninguém menos que Ellen Tigh. Que ironia: Saul acabou matando-a em New Caprica, mas ela foi ressuscitada e conseguiu juntar-se aos outros 4 na Galactica. No entanto, Sam havia sido baleado e estava em coma. A propósito, é Sam, no ótimo episódio “No Exit”, quem faz grande parte das revelações sobre o passado dos Cylons. Descobrimos também que o Cylon número 7, Daniel, foi exterminado pelo número 1, John Cavil, num acesso de inveja. Cavil foi também o responsável por apagar a memória dos “5” e colocá-los junto aos humanos, para que sofressem com eles o extermínio que já estava sendo planejado.
Outro grande momento da temporada foi contado nos episódios “The Oath” e “Blood on the Scales”: Gaeta e Tom Zarek lideram um motim a bordo da Galactica e tomar o controle da nave. Eles não aceitam a aliança com os Cylons. A adesão de Gaeta, que se torna um personagem cada vez mais odiado, é explicada em parte nos webisodes “The Face of the Enemy”. Os episódios são tensos e trazem de volta ótimos momentos de liderança do Almirante Adama. No final, a ordem é restaurada, com Gaeta e Zarek sendo fuzilados por traição. É, nem sempre BSG é politicamente correto.
Mas, o grande desfecho do seriado se dá no episódio “Daybreak”, dividido em 3 partes. Hera, a grande esperança de sobrevivência para humanos e Cylons é seqüestrada por Boomer e levada para a colônia onde os Cylons se esconderam após o final da primeira guerra. O resgate é traumático e o seriado parecia caminhar para um final “água com açúcar”, com nova trégua entre os Cylons e humanos, e o retorno da tecnologia da ressurreição. Quem estraga isso é o Chefe Tyrol, que num acesso de raiva mata Tory após descobrir que ela jogou Cally no espaço.
Descobrimos, então, o propósito de Starbuck: para fugir da colônia Cylon, ela é encarregada de digitar as coordenadas para a BSG realizar um salto. Ela percebe que possui misteriosos números em sua cabeça, vindos de uma música que lhe foi ensinada por seu pai durante sua infância. Essas coordenadas levam a nave a um distante e desconhecido planeta azul, habitado por uma civilização atrasada. Trata-se da “nossa” Terra, milhares de anos atrás!
É aqui que a frota, agora formada por humanos e Cylons, decide se estabelecer, dando ao nosso planeta o mesmo nome do mítico planeta que eles perseguiram ao longo dos anos. Eles escolhem se livrar das naves – enviadas ao Sol sob o comando de Sam, num momento emocionante – e de todos os outros aparatos tecnológicos, espalhando-se pelo planeta e colonizando-o junto ao povo nativo. A conclusão: a humanidade foi originada dessa mistura original entre Cylons e humanos. Os centuriões, por sua vez, foram libertados e partiram pelo universo na nave-base Cylon. E o mistério a respeito de Starbuck é revelado: a verdadeira Kara Thrace realmente morreu quando sua nave caiu na “primeira Terra”. O que vimos desde então foi um “anjo”, cuja missão era levar a frota ao seu verdadeiro e derradeiro lar.
Somos então levados para os dias atuais, onde as figuras de Baltar e Six, ditos “anjos”, avaliam a humanidade e a evolução dos robôs. Six tem a esperança de que agora as coisas sejam diferentes, o ciclo seja finalmente quebrado e não tenhamos uma nova guerra. Só o futuro poderá dizer se ela está correta.
A saga de “Battlestar Galactica” é assim fechada com chave de ouro. Um episódio emocionante do início ao fim, com cenas extremamente tocantes. Foram muitas despedidas, cada uma tocante ao seu modo. Assim foi a despedida do Almirante Adama e a Battlestar Galactica, sua velha senhora. Assim foi a despedida entre Kara e Sam, que consegue realizar seu sonho de atingir a perfeição, ao guiar sozinho as naves da frota para o Sol. Assim foi a despedida entre o Almirante Adama e Kara, que ele sempre considerou sua filha. Assim foi a despedida entre Kara e Lee, que resistiram a tudo e escolheram ser amigos. E assim foi a despedida entre os fãs e este sensacional seriado, que deixará saudades, mas que já deixou sua marca.
BSG será sempre lembrada por ter levado a ficção científica a um nível muito além, tratando de temas fortes e controversos. Será lembrada por seu lado sombrio, que nos chocava e assustava, mesmo quando não havia um “final feliz” nos esperando. Será lembrada também pela amizade, pelo companheirismo e fidelidade que não via distinção de classe social ou de espécie. Saul Tigh e Bill Adama são os melhores exemplos disso. Será lembrada pelos efeitos especiais caprichados, muito acima da qualidade esperada para um seriado de TV. Será lembrada pela excelente trilha sonora, algumas vezes imperceptível, outras vezes “ocupando toda a tela”, mas sempre perfeita para o momento.
O que nos conforta é saber que ainda há com o que matarmos as saudades. Já existe a previsão de lançamento do filme “The Plan” no final deste ano, onde será contado, sob o ponto de vista dos Cylons, o plano de extermínio da espécie humana. E, em 2010, teremos o seriado Caprica, que contará sobre a vida na colônia antes mesmo da primeira guerra Cylon.
Vida longa à “Battlestar Galactica”. So say we all!
14 comentários:
Seu comentário é muito bem vindo, concordando ou discordando do que escrevemos. Só pedimos que não seja grosseiro.
Os comentários podem ser enviados automaticamente ao Twitter do TD Séries.