23/05/2010

Fringe – Episódio 0223 - “Over There – Part 2”

Fringe0223 Data Exibição
EUA – Fox: 20/05/10

Esta segunda parte do “season finale” desta temporada de “Fringe” foi realmente ótima! No episódio anterior, já havíamos acompanhado a incursão de Olivia e Walter ao universo alternativo. Agora, vemos o confronto entre as versões dos personagens em ambos os universos. Felizmente, temos a favor de “nosso” time a providencial ajuda de William Bell. Mesmo com um aparente furo no roteiro em um momento crítico, a temporada foi fechada com chave de outro.

Que episódio fantástico! Por uma série de motivos, este será um episódio inesquecível nesta ótima segunda temporada.

O primeiro motivo é o encontro entre Walter Bishop e William Bell, após tantos anos separados um do outro. Interessante é que, especialmente no início do seriado, Bell sempre foi retratado como o vilão por trás das grandes desgraças que aconteciam. Gradativamente, sua imagem foi sendo suavizada, mas para Walter ele ainda personalizada o mal. Grande parte dessa mágoa vinha do fato de Bell ter removido partes do cérebro de Walter, como vimos em “Grey Matters”, o que lhe trouxe os problemas mentais com os quais convive até hoje. Mas, este episódio traz uma suave explicação até mesmo para isso: foi o próprio Walter quem pediu a Bell que fizesse isso, devido “àquilo que estava se tornando”. Impossível não se sentir tocado com a cena, exatamente no momento em que Bell está fazendo um grande e arriscado sacrifício em prol de seu amigo. E Leonard Nimoy valoriza muito o episódio, em uma de suas maiores participações no seriado.

Outro motivo marcante para que este episódio dificilmente seja esquecido está nas grandes atuações de Anna Torv e John Noble, ambos em papéis duplos. John Noble sempre foi fantástico como Walter, especialmente o “nosso” Walter. Estamos tão acostumados a ver seus maneirismos em tela que por vezes é difícil separar ator e personagem. Mas, quando vemos Walter Bishop, Secretário da Defesa, sério e carrancudo, nos damos conta da genialidade do trabalho de John Noble. Quanto à Anna Torv, desde que comecei a assistir “Fringe”, eu a coloquei sob uma lupa, analisando sua atuação e duvidando que ela conseguisse se manter à frente do elenco. Neste episódio, em que ela interpreta duas Olivias tão diferentes, dou mais uma vez o braço a torcer: sua atuação, especialmente como a “outra” Olivia foi mesmo ótima. A diferença entre elas é perceptível, desde o jeito de andar até a expressão no rosto. Peter consegue expressar bem a diferença entre as duas.

Fringe0223a E um terceiro motivo, este aplicado também ao episódio anterior, é observar as diferenças entre ambos os universos, algumas bastante claras – como os dirigíveis voando pelo céu – ou mais sutis – como a rede de restaurantes “KGC” ao invés de nosso “KFC”. Uma cena em que vibrei foi ver as versões vermelhas do Arqueiro Verde e do Lanterna Verde, super heróis nas histórias em quadrinho e desenho animado.

O final do episódio foi um tanto previsível. Após a explosão, estava claro que aquela era a “outra” Olivia e não a “nossa”. E isso leva à aparente falha no roteiro, num momento crucial: somente a “nossa” Olivia tinha o poder para abrir o portal entre os universos. O acelerador de partículas e William Bell somente serviriam para mantê-lo aberto. Assim, não faz nenhum sentido que a “outra” Olivia tenha conseguido fazer a abertura. Talvez na próxima temporada tenhamos algumas falas no roteiro para dar uma solução ao caso – explicando, por exemplo, que a “outra” Olivia também foi tratada com cortexiphan.

Peter e “nossa” Olivia têm seus momentos marcantes também. O beijo entre eles, tantas vezes adiado, finalmente acontece. Mas, no fim das contas, ambos ficam em situações difíceis. Enquanto Olivia é mantida presa no outro universo, Peter está, de certa forma, perdido entre os dois universos. Ele não pertence nem a este, nem àquele universo. Não deve ser uma situação agradável.

Com esta temporada, “Fringe” fica definitivamente entre os meus seriados favoritos em exibição. Fora alguns episódios descartáveis – que já citei em  “Over There – Part 1”, houve episódios memoráveis nesta segunda temporada, começando por “Momentum Deferred”, quando William Bell nos dá o panorama do que será esta segunda temporada. O que dizer então de “August”, quando conhecemos um pouco mais sobre os enigmáticos Observadores – que até então pensávamos ser apenas um – que continuam aparecendo em momentos críticos? “Peter” finalmente nos trouxe a tão aguardada explicação sobre o ato de Walter que deu origem a todos os eventos ligando os dois universos. E “White Tulip”, com a participação especial de Peter Weller, trouxe de forma simbólica o perdão que Walter precisava para seguir sua vida.

A próxima temporada já começa com uma situação extremamente interessante. Com a “outra” Olivia infiltrada em nosso universo, as coisas devem ficar um tanto complicadas para a Fringe Division. Aposto que a “outra” Olivia será convencida por Walter e Peter de que nós somos os mocinhos e passará a ajudá-los para resgatar a “nossa” Olivia. Mas, após ver um episódio como este, é difícil pensar em bandidos e mocinhos. Todos têm as suas razões para odiar o outro lado. Da mesma forma que nosso universo parece a ponto de ser invadido e destruído por eles, o universo deles parece estar sofrendo conseqüências ainda maiores devido aos atos passados de Walter. Haverá vencedores numa guerra como essa?

Fringe0223_Observador

 

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3 comentários:

  1. Realmente um ep muito bom... alguns detalhes de roteiro como bem dito, mas... não foi um dos meus favoritos, pra falar a verdade os dois foram bons ep, mas não para um final de temporada. Agora Ana Torv arrebentou, lembro que quando assistir o 1° ep de fringe lá no começo mesmo, com um ep "vazado" fiquei na duvida de continuar, apesar das presenças de John Noble que dispensa comentários e Kirk Acevedo que é um ator que gosto muito, achei uma atuação assim meio que despretensiosa de todos, mas continuei e não me arrependo, normalmente é um ep melhor que outro.

    Agora uma coisa eu não entendi logo no começo do ep anterior (over there part1) o Broyles de lá, ao ser informado que a área deonde vieram nossos heróis poderia ser uma zoma de quarentena, que só saberemos o que de fato é mais lá na frente, fala algo como, envie um observador. Mas que observador seria esse ? aquele observador ? isso me deixou assustado.

    Do mais, acho que só. até a próxima temporada.

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  2. Adelson!!! Muitíssimo bem lembrado!!! Foi mesmo tocante a explicação de Bell em ter retirado parte do cérebro de Walter a pedido dele mesmo.....
    Excelente abordagem!
    Abração!!

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  3. @André: Fringe foi um de meus seriados favoritos nesta temporada. Ótimos episódios! Gostei muito das histórias e das atuações, especialmente de John Noble e Anna Torv. Quanto ao observador, não acredito que seja um "Observador", daqueles que conhecemos, mas apenas alguém para observar.

    @Letícia: William Bell saiu deste episódio redimido de seus pecados. Interessante é que no início ele parecia ser o grande vilão da história. Foi uma virada interessante.

    Abraço a vocês e obrigado pela visita!

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