25/05/2010

Lost – Episódios 0617 e 0618 – “The End”

Lost0617a Data Exibição
EUA – ABC: 23/05/10
Brasil – AXN: 25/05/10

Depois de longos seis anos, “Lost” chega ao seu episódio final. Não foi o melhor episódio exibido no seriado, mas foi um episódio conduzido para emocionar e dar um sentido a tudo o que vivenciamos durante todo este tempo ao lado de personagens como Jack, Locke, Sawyer, Kate, Hurley e tantos outros. Não continue a ler este texto se você ainda não assistiu aos episódios. Mais do que qualquer outro, é uma experiência que cada um vivenciará ao seu modo.

Foi difícil levantar do sofá e vir aqui escrever este texto. Foi difícil conseguir tirar os olhos da tela azul da TV quando o episódio terminou. E foi difícil entender que “Lost” chegou ao seu final. Depois de tantos anos, nos acostumamos a torcer pelos personagens, a amá-los ou odiá-los. Também nos acostumamos a tentar utilizar o máximo de nossa razão para tentar dar sentido a fatos que não faziam o menor sentido. Sofremos com os personagens, mas também vibramos em tantos momentos – alguns tão simplórios quanto aquele em que Hurley consegue colocar a Kombi da Dharma para funcionar. E quantas vezes não ficamos perdidos sem sequer entender se o que víamos era passado, presente ou futuro… “Lost” mexeu com nossa maneira de ver TV.

A partir de janeiro de 2009, deixei de ser mero espectador de “Lost” e ousei tentar transcrever aqui no TD Séries minhas sensações a cada episódio. Isso me rendeu muitas teorias completamente enganadas – e algumas poucas corretas. Também rendeu conjecturas com Taci, minha esposa, quando nos olhávamos espantados ao final do episódio, cada vez com uma surpresa diferente. O mesmo acontecia na manhã seguinte, no trabalho. “Lost” também me colocou em contato com pessoas com pontos de vista completamente diferentes dos meus – a Ka, do Defenda a Ilha, é o  melhor exemplo disso. “Lost” também mexeu com nossas vidas.

“Lost” é um fenômeno formidável. Há muito, mas muito tempo mesmo, já acompanho seriados de TV. J.J. Abrams e Damon Lindelof, as mentes criativas por trás do seriado, conseguiram criar algo sensacional, capaz de provocar todas essas reações nas pessoas. Não me lembro de ter ficado tão emocionado como fiquei nas quase três horas que antecederam a elaboração deste texto. Antes disso, somente o final de “Battlestar Galactica” havia chegado perto disso.

De longe, este episódio duplo não foi o melhor que vimos em “Lost”. Já houve outros, como “Through the Looking Glass”, “The Constant” ou mesmo “Ab Aeterno”, que foram verdadeiras obras primas da TV – e  o que não faltarão agora serão listas com os melhores episódios do seriado. Mas, “The End”, conseguiu encerrar “Lost” com um final tão tocante e fantástico, que não preciso de um final diferente para me satisfazer. Com este episódio, a fábula de “Lost” tornou-se completa.

Claro que o final não agradou a todos – e nenhum final conseguiria fazer isso. Nesta sexta temporada, as explicações científicas foram deixadas de lado. Não adiante procurarmos explicações para o que vimos em livros de Física. Não é possível explicar. Também não sabemos porque os números estavam por toda parte, quem construiu a estátua, quantos anos Jacob viveu e nem sequer o nome de seu irmão. Mas, precisamos saber isso tudo? Imagino quantas discussões todas essas perguntas ainda renderão. Isso me soa melhor do que ter uma lista de perguntas respondidas ao final do seriado.

Lost0617c E o final dá margem às mais diversas explicações, de acordo com a vivência pessoal de cada um que assistir o episódio. Para mim, me pareceu claro: tudo o que vimos neste 6 anos realmente aconteceu. Eles chegaram à ilha, saíram da ilha e voltaram à ilha. E, no final, morreram. “Todos morrem um dia”, diz Christian Shephard ao seu aturdido filho Jack. Alguns morreram na ilha, outros fora dela. Até o último segundo, eu jurava que o avião explodiria no ar, matando Kate, Sawyer, Miles, Claire, Lapidus e Richard Alpert. Pode até ter explodido, isso não importa. Não sabemos por quanto tempo Hurley e Linus cuidaram da ilha – sequer sabemos se a garrafa de água que Jack deu a Hugo realmente lhe trouxe longevidade. Mas, nada disso importa. O que importa é que, cada um ao seu tempo, todos chegaram ao “lugar” onde vimos suas vidas idealizadas, da forma como precisavam para serem felizes. Até que chega a hora de seguirem adiante.

Visto assim, parece simplista demais. Mas, o que importa não é o destino, e sim a jornada. O despertar de cada personagem foi fabuloso. Como não se emocionar ao ver Sun e Jin lembrando-se de tudo o que passaram juntos? E Sawyer e Juliet, então? Kate, Claire e Charlie? Todos eles, cada um ao seu modo, foram emocionantes. E nesse ponto, “The End” foi também uma obra prima. Finalmente entendemos a missão de Desmond, sempre o mais consciente da realidade, de dar a cada um o que eles precisavam para despertar. O que dizer então da reunião dos personagens no final, alguns não vistos há tanto tempo no seriado? Já me acostumei a vê-los por “Flash Forward”, “V” e “The Vampire Diaries”, que foi uma grata surpresa revê-los juntos.

“Lost” não foi perfeito. Houve erros pelo caminho – alguns grosseiros. Houve personagens mal aproveitados – Richard Alpert e Benjamin Linus foram dois, para mim. Tudo bem, foi interessante ver Alpert sentindo-se feliz com seu primeiro cabelo branco, e o pedido de perdão de Ben a John Locke, mas eram personagens que tiveram uma trajetória tão marcante que mereciam mais. Houve também personagens que pareciam essenciais – como Walt – que nunca mais voltaram. Mas, isso não tira o mérito do seriado.

Há muito, muito mais o que dizer sobre o episódio. Mas, prefiro ficar por aqui. Não haverá nunca uma verdade absoluta sobre “Lost”. Cada um de nós continuará – mesmo inconscientemente – traçando suas teorias mais fantásticas para tentar colocar lógica onde ela não existe. “Lost” ainda será assunto para muitas conversas e discussões – até mesmo por quem não acompanhou o seriado. Continuará sendo matéria de jornais, revistas e blogs, ainda por algum tempo. Demorará para podermos simplesmente fechar os olhos e finalmente deixar a Ilha para trás, com fez Jack numa cena previsível – mas impactante. Realmente, “Lost” mexeu com nossa maneira de ver TV.

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5 comentários:

  1. A verdade é que estava pronto pra exaltar todas as falhas que o ep teve, mas depois de assistir novamente, conversar com os amigos, lê algumas coisas na internet, e principalmente o escrito por você, como:
    "Não sabemos por quanto tempo Hurley e Linus cuidaram da ilha – sequer sabemos se a garrafa de água que Jack deu a Hugo realmente lhe trouxe longevidade. Mas, nada disso importa. O que importa é que, cada um ao seu tempo, todos chegaram ao “lugar” onde vimos suas vidas idealizadas, da forma como precisavam para serem felizes. Até que chega a hora de seguirem adiante."

    Só tenho uma coisa à dizer, PERFEITO.

    A série, a meu ver, e esse pensamento eu mudei hoje, já que assistir o ep no domingo mesmo, terminou da melhor forma possivel.

    É até estranho eu falar isso, mas o sentimento que tenho é que todas as minhas duvidas foram respondidas, mesmo sem terem sido, estátua, avião dando ré, etc... etc... tudo isso não passou de um detalhe, tenho que admitir, estou impressionado, é um sentimento estranho, até hoje não sabia o quanto era fã da série.

    Uma pena ter acabado, mas não podia mas continuar... um sentimento de vázio, que será preenchido agora por Fringe (kkkKKKkkk).

    E mais uma vez, Adelson Smania, tuas palavras foram perfeitas, você me fez enxergar o que não queria, assim como Jack, aquela besta.

    Acho que é só, T+

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  2. E não é que chegamos ao fim de Lost, Adelson!
    Como você viu no meu post, também fique bastante tocada com o fim. E apesar de algumas constatações negativas (respostas?), o balanço foi positivo. Talvez daqui um tempinho a opinião seja afetada por outras vivências. Como você disse, foi uma experiência muito pessoal.
    Por isto mesmo, eu precisava de pistas para as respostas significantes, como a real importância da Ilha.
    Mas fiquei muito feliz que a estória da Ilha tenha sido real e tenha tido começo meio e fim para os personagens. E que o fim tenha sido melancólico e poético como o fechamento de um ciclo. Valeu!
    Foi legal ter acompanhado suas análises e como você disse, mesmo com pontos de vistas diferentes, mantivemos uma troca de ideias muito saudável. E isto é muito bacana! Voltarei sempre aqui, com certeza...
    tenho um outro blog em andamento, mas ainda deve demorar um pouco para funcionar. Quero esgotar o assunto Lost. Quando começar, te aviso!
    Isto ai. valeu
    Abs

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  3. @André: Obrigado pelos elogios! Fico feliz que meu texto tenha servido para que você tenha tido outra visão sobre o episódio. Quando escrevi o texto, também o fiz com meu lado de fã, e não com meu lado racional. Por isso, também deixei muita coisa de lado para poder apreciar o que foi mostrado.

    @Ka: Sim, chegamos ao final de Lost. Sensação estranha essa, não? Também fiquei satisfeito em ver que a história que vimos durante esse tempo foi real. Seria uma decepção muito grande descobrir que estavam mortos desde o início, por exemplo. Vou continuar acompanhando seu trabalho, seja no Defenda a Ilha ou em seu novo blog - já estou curioso!

    Grande abraço a vocês!

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  4. Grande texto! Merecido para uma grande serie.
    Fiquei com um vazio dentro d mim dpois q terminei d ver. Como se eu tivesse perdido alguem. =\

    Lost foi bom enquanto durou e fico feliz d ter visto esse maginifico espisodio.

    u.u

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  5. Olá, J.J.!

    É sempre bom vê-lo por aqui! E obrigado pelos elogios.

    Acho que todos os fãs que acompanharam Lost sentiram esse vazio ao perceber que o seriado terminou. Isso nos fará mesmo falta.

    Um abraço e obrigado pela visita!

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