31/07/2010

Sherlock - Episódio 0101 - “A Study in Pink”

Sherlock1Data Exibição
Inglaterra - BBC: 25/07/10

“Sherlock” é uma minissérie de 3 capítulos - com chances de se tornar um seriado - produzida pela BBC, que mostra o mais famoso detetive de todos os tempos, Sherlock Holmes, nos dias atuais. Neste primeiro episódio, vemos seu encontro com o fiel companheiro, Dr. Watson, e a resolução de um misterioso caso de aparentes suicídios em série.

Desde minha adolescência, sempre fui fã de Sherlock Holmes. Li - mais de uma vez - todos os livros escritos por Arthur Conan Doyle e cheguei ao extremo de documentar todos os seus casos. O mais espantoso é que fiz isso na era “pré-computador”, utilizando minha máquina de escrever e colocando todas as folhas numa pasta plástica que guardo até hoje. Torço o nariz quando vejo a batida frase “Elementar, meu caro Watson”, atribuída a Holmes, mas nunca dita em nenhum dos livros originais. Por outro lado, vejo positivamente adaptações como os filmes “Young Sherlock Holmes” (traduzido no Brasil com o insensato título “O Enigma da Pirâmide”), de 1985, e “Sherlock Holmes”, dirigido por Guy Ritchie em 2009. São uma forma interessante de apresentar o personagem às novas gerações.

Por isso, vibrei quando recebi a notícia de que a BBC gravaria um seriado mostrando Sherlock Holmes nos dias atuais. Claro que havia a dúvida sobre a verossimilhança de um detetive como Holmes num mundo em que o ponto forte dos seriados de investigação é a alta tecnologia. Meu receio foi desfeito durante os 90 minutos do primeiro episódio “A Study in Pink” (“Um Estudo em Rosa”), um trocadilho com o nome original do primeiro livro de Conan Doyle sobre Holmes, “A Study in Scarlet” (“Um Estudo em Vermelho”). O nome do episódio pode parecer estranho, mas tem relação direta com as cores da roupa de uma das vítimas.

Sherlock2A atualização dos personagens é fascinante: Dr. Watson (interpretado por Martin Freeman) foi médico no Afeganistão - exatamente como no original. Ele também manca, com a diferença de que agora isso é meramente psicológico, uma vez que foi baleado no ombro e não na perna. Algo que me fez exultar: Watson tem um blog! Provavelmente, é nele que contará as aventuras com seu amigo.

Sherlock Holmes só aparece depois de 8 minutos de curiosidade intensa. E quando vemos em cena Benedict Cumberbatch açoitando um cadáver, fica claro que estamos diante do maior e mais excêntrico detetive que a ficção foi capaz de criar. Sua ciência dedutiva está mais afiada do que nunca, bem como sua irritação e seu desdém pela polícia. A grande diferença está no fato de que Holmes é agora adepto da tecnologia: mantém um site sobre suas descobertas e usa constantemente SMS. A propósito, gostei dos efeitos visuais quando alguém está recebendo ou enviando uma mensagem.

O encontro entre Watson e Holmes, que dividirão um flat no famoso número 221B da Baker Street, é fantástico. Como no original, as deduções de Holmes são rápidas e por vezes até difíceis de acompanhar. A cada dedução, ele consegue assombrar Watson, a polícia e quem mais esteja por perto. Essa é sua marca registrada e ele a usa com maestria ao analisar seu novo companheiro. A dupla trabalha bem na tela e consegue manter o interesse a cada cena.

O caso trazido por Lestrade - também presente no original - a Holmes o faz exultar: uma série de quatro supostos suicídios, todos ligados entre si, mas sem qualquer explicação. Quem leu os originais sabe que só casos como esses são capazes de tirar Holmes de seu ócio - e mesmo de seu vício da cocaína, embora este ponto não fique claro nesta atualização. Holmes usa adesivos de nicotina para suportar a ausência do fume e talvez para encobrir as marcas de um vício mais pesado.

Sherlock3Os roteiristas fazem também uma ótima sacada ao brincar com nossa imaginação ao nos apresentar o arquiinimigo de Sherlock Holmes. No original, o Professor Moriarty, chamado por Holmes de “O Napoleão do Crime”, está por trás dos maiores crimes cometidos. Aqui, somos levados a acreditar que já estamos diante dele, quando se trata na verdade de Mycroft, o irmão mais velho de Sherlock. O Professor ainda deve aparecer, mas por enquanto ele é apenas um nome desconhecido até mesmo por Holmes.

Um ponto que parece desnecessário é novamente a suspeita sobre a homossexualidade de Holmes, também presente no filme de Guy Ritchie. Se bem que o incômodo diálogo entre Holmes e Watson sobre o assunto pode ser justamente para colocar uma pedra sobre isso.

Foi um início promissor: “Sherlock” deve ser apreciado tanto por quem já conhece as aventuras do detetive quanto por aqueles que somente ouviram falar em seu nome. Minha torcida fica agora para que a minissérie faça sucesso suficiente para se tornar um seriado. É mais do que bem vinda a idéia de que a inteligência consegue superar armas, músculos e tecnologia. E, pelo que vemos nos outros seriados, isso não é nada elementar.

Sherlock4

6 comentários:

  1. Adorei a série! É muito bem produzida. Vale a pena ver.
    []' Pat.

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  2. Olá, Pat!

    Também estou adorando Sherlock! Espero que o seriado faça muito sucesso e tenhamos mais do que apenas estes três episódios.

    Um abraço! E é sempre ótimo vê-la por aqui.

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  3. Sherlock Holmes é um classico! Já li muitos livros de Artur Conan Doyle contando suas histórias. Sou vicíado em leitura. Espero que o seriado ganhe força e que produzam muitos epsódios. Abraços e parabéns!

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  4. Olá!

    Também sou fã dos livros de Conan Doyle. E a boa notícia é que já está confirmando que Sherlock ganhará uma segunda temporada. Espero que seja mais longa do que esta, mas mantenha a mesma qualidade.

    Um abraço e obrigado pela visita!

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  5. Oi Adelson!

    Eu já estava curiosa sobre o seriado - sempre gostei de romances policiais - e só agora comecei a assistir.
    Desnecessário dizer que eu adorei, não?

    Como eu sou uma stalker assumida, em se tratando de séries e suas informações adicionais, descobri que o blog do dr. Watson, bem como o site de Sherlock, realmente existem! Apesar do blog do Watson ser meio vago, o site de Holmes é bem interessante.

    Fiquei pensando, agora, como seria se fizessem a mesma coisa com Hercule Poirot, da Agatha Christie. Esse seria um seriado que eu acompanharia, com certeza.

    Um abraço! =)

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  6. Olá, Elise!

    "Sherlock" é mesmo ótimo, né? Gostei muito do seriado, tanto pela trama quanto pelos atores. Também procurei os blogs quando estava assistindo e achei bem interessantes!

    E quem sabe não veremos também Poirot um dia nas telas?

    Um abraço!

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