Data Exibição
Inglaterra - BBC: 08/08/10
Com este fantástico episódio, encerra-se a minissérie “Sherlock” (ou sua primeira temporada, uma vez que foi confirmada a continuação do seriado). Sherlock Holmes é desafiado com uma série de enigmas, todos envolvendo a vida de um inocente. Estará ele à altura de seu desafiante?
“Sherlock” foi a grande surpresa para mim este ano. Sem grande alarde, a minissérie estreou na BBC com o episódio “A Study in Pink”. Nascia ali uma das adaptações mais fantásticas que já vi da obra de Conan Doyle. Se antes eu via com um ar de suspeita a atualização de Watson e Holmes para os dias atuais, após assistir o episódio convenci-me de que isso era possível. A inteligência afiada de Holmes fez sentido nos dias atuais, numa época em que a tecnologia impera nos seriados de investigação.
O segundo episódio, “The Blind Banker”, também foi bom, embora sem o trunfo da surpresa que o primeiro causou. Meu receio é que este terceiro episódio continuasse a tendência descendente e se mostrasse fraco. Pelo contrário: entre os três, “The Great Game” foi o que mais conseguiu me fascinar. A idéia de trazer pequenos desafios para Holmes foi ótima, o que permitiu ao episódio ter ação do início ao fim.
Como aconteceu na obra original, Watson já começou a ganhar fama com o relato das aventuras de seu companheiro. A diferença é que agora isso é feito em seu blog. A frase irônica de Holmes ao convidá-lo para uma aventura, “Eu ficaria perdido sem meu blogger.”, é fantástica. Isso nos dá a oportunidade de conhecer um lado de Holmes normalmente desconhecido. Como na obra de Doyle, Holmes dedica-se a conhecer em profundidade tudo o que é necessário à sua profissão, e ignorar o restante. A revelação de que ele sequer sabia que a Terra girava em torno do Sol vem também das obras originais. Para Holmes, não há utilidade alguma em saber isso. A comparação de seu cérebro com um HD também vem da obra original - com atualizações, claro. Nos livros de Conan Doyle, Holmes dizia que o cérebro das pessoas é como um quarto, com espaço limitado. Quanto mais informações desnecessárias armazenam, mais difícil fica encontrar o que é realmente útil.
Outro ponto trazido da obra original é a reação de Holmes ao tédio: lá ele também praticava tiro contra a parede de sua residência na Baker Street. Pobre Mrs. Hudson! O que ainda não vimos no seriado - e não sei se veremos - é que Holmes também fazia uso regular de cocaína para afugentar momentos como esse. Por enquanto, a única referência a drogas no seriado se deu com os adesivos de nicotina.
Neste episódio final, como era de se esperar, o nome Moriarty aparece novamente. E Holmes finalmente descobre um adversário à sua altura. O “Napoleão do Crime” está por trás dos desafios, que são uma forma de testar a inteligência de Holmes. Na seqüência final, quando a cena nos leva a crer que é Watson quem está por trás dos eventos, fiquei chocado. Seria uma liberdade criativa grande demais e que poderia acabar com o interesse no seriado. Felizmente, foi apenas uma armadilha na qual caí direitinho.
Quando foi revelado o verdadeiro James Moriarty, demorou para eu aceitá-lo. Na obra original, Moriarty é mais sério - e também bem mais velho que Holmes. Sua frase “Acabarei matando você… algum dia.” é profética. Nos livros, Moriarty e Holmes morrem após - mas o detetive foi trazido de volta à vida pela pressão dos fãs. Da mesma forma, parece que “Sherlock” está fadado a uma vida longa na TV.
Minha expectativa fica agora para a segunda temporada do seriado. Por enquanto, o seriado está impecável: ótimo roteiro, produção fantástica e atores competentes. Se as coisas continuarem nesse nível, “Sherlock” continuará sendo uma ótima opção para diversão inteligente na TV - o que tem sido um tanto raro de se encontrar.
Oi, Del!
ResponderExcluirTambém adorei a série.
Sherlock é uma série muito bem feita! Moderna. Que venha a próxima!
[]' Pat.
Já entrou pra minha lista de series favoritas,otima serie!!
ResponderExcluirEsse Moriarty me lembrou um pouco do coringa de Heath Ledger
@Pat: Que bom que tenha gostado do seriado! Desde o anúncio, já fiquei atento. Mas, a alta qualidade o seriado realmente me surpreendeu.
ResponderExcluir@Renan: O tom dado a Moriarty me incomodou um pouco no início, porque eu esperava alguém mais próximo ao descrito nos livros. Mas, o ator trabalha muito bem e deve fazer um bom trabalho.
Abraço a vocês e obrigado pela visita!
Não sabia desta série, deve ser porque só agora recentemente eu assinei TV a cabo paga e a maioria delas só são exibida nas TVs pagas.
ResponderExcluirRealmente, os seriados demoram demais a passar na TV aberta. É uma pena, mas nesses canais o que ainda dá mais audiência é futebol e nova. Então, resta a TV por assinatura.
ResponderExcluirUm abraço e obrigado pela visita!
Fiquei sabendo da serie depois do filme... ambos são muito bons. É uma pena que tem que baixar na net.... se passasse em uma tv aberta seria muito melhor... é uma pena que essas tv abertas do brasil sejam tão tapadas...
ResponderExcluirOlá!
ResponderExcluirInfelizmente, são raros os seriados que fazem sucesso na TV aberta. Como eu disse acima, o povo aqui gosta de ver futebol e novela.
Um abraço e obrigado pela visita!